Quarta-feira, Setembro 07, 2005

Aos que ainda têm a esperança de entrar aqui em encontrar um texto novo, tenho novidades:

Estou indo morar por 1 ano em Portugal para estudar arquitetura na Universidade do Porto. Resgatei minha veia de escritora e criei um novo blog com todo carinho, para dividir com você essa minha nova experiência. O novo endereço:

www.terraavista.blogger.com.br

TERRA À VISTA! - Uma brasileira descobrindo Portugal.


Entre, sente, sinta-se a vontade. Estarei te esperando!



MARILIA FONTENELLE - 11:10 AM Comments:

Quarta-feira, Abril 27, 2005

Pontinhos vermelhos

Cheguei a um ponto em que olho para nossas fotos e te vejo não como outra pessoa, um ser desconhecido, distante de mim. Vejo em ti parte de mim, não só por te conhecer pedaço a pedaço, mas por sentir um amor incomensurável e ver em teu corpo o retrato desse sentimento.

Lembro de tudo como um filme. Tenho, constantemente, nas lembranças, a sensação de conforto, segurança e proteção. Lembro-me do caminho tortuoso para a casa da sua avó, da umidade da vegetação abundante, da estrada de terra batida, do seu esforço para se manter no caminho, da passagem pela pedreira...Tudo tão deserto, mas a sensação de calmaria e proteção eram insistentes. Escurecia, e o céu em chamas anunciava a lua cheia que estava por vir. No céu da Bahia....

O portão de madeira da casa da sua avó anunciava o gosto da vida no campo. Tudo tão gramado e arborizado, e uma casinha gostosa em estilo colonial, o estilo arquitetônico do início do Brasil.

Senti-me confortada pela recepção de sua avó. Tão ativa, atenciosa, tranqüila. Saudades da minha que você nunca vai conhecer...

Na sala, destacava-se no móvel lateral o porta-retrato com as fotos dos dois únicos netos. "Não sabia que sua mãe era filha única!", dizia eu. Com a nova descoberta, senti-me diferente. Não entendi bem porque, mas a sensação de exclusividade que os netos tinham com a avó era automaticamente transferida também para mim, e, naquele instante, senti que acabara de ganhar uma nova parente: uma avó. Era como se o fato de ela ser "só sua" a aproximasse ainda mais de mim. Esse sentimento de posse causou-me um fascínio indescritível.

Queria ter passado ali horas e horas, descobrindo o menino Marcelo de cachinhos dourados que eu não conheci. A própria foto de sua avó com os netos há anos atrás me fez refletir: você sempre existiu! Parece óbvio, mas fiquei pensando que você era aquela pessoa que eu sempre amei sem conhecer. Na adolescência, costumava passar horas pensando que, se eu tivesse uma camerazinha que filmasse a Terra de um observatório lá do céu (como aquelas de controle de segurança que mostram apenas os pontinhos que indicam onde as pessoas estão), estariam brilhando na tela do monitor 2 pontinhos vermelhos: um meu e um da minha alma gêmea. Eu ficava imaginando que quanto mais próximo os pontinhos estivesse um do outro, um alarme soaria com mais intensidade.

Passei a viagem de Salvador inteira pensando nisso. Quando estava calada, sorrindo a seu lado, era porque estava viajando em meus pensamentos: por 3 vezes nos últimos 20 anos, o alarme dos pontos soou forte devido a proximidade entre eles. Mas eles nunca chegavam a se tocar. Esse "alarme falso" que indicava que o encontro poderia acontecer a qualquer instante ocorreu em minhas três viagens anteriores a Salvador... Imagina a expectativa que estava lá no céu!

E no dia 6 de fevereiro de 2005, para a surpresa de todos que estavam no céu, as luzes voltaram a se aproximar. Pela primeira vez, porém, não era só uma luz vermelha que se aproximava da outra enquanto uma delas ficava parada no mapa do Brasil. As 2 luzes iam de encontro a um mesmo destino, e foi lá, naquela data, naquele instante, que soou um alarme estridente que só não pôde ser ouvido por aquela multidão devido ao barulho das troças. Era eu e você. Era o carnaval de Olinda.

No momento em que me despedi de sua avó, ela me deu uma plaquinha de madeira com seu nome e o desenho do Snoopy. Aquele desenho infantil indicava a idade daquele objeto e, por mais simples que aquele gesto tenha sido, senti-me extremamente importante. Aquela plaquinha tinha uma história de família e, ao me pertencer, era como se naquele instante estivesse mais claro do que nunca que agora eu fazia parte da sua história.

Se antes eu não acreditava que nosso encontro tivesse causado qualquer reação ao "sistema de segurança do céu", hoje, para mim, é fácil imaginar a festa que aconteceu lá em cima com tal acontecimento. Tinha tudo para que desse errado e para que nunca chegássemos a nos encontrar. A própria distância estabelecia entre nós uma enorme barreira...e ninguém acreditou que o alarme um dia fosse soar novamente. Nem eu. Pelo tamanho do sentimento, da saudade, do respeito, do companheirismo e da vontade de ficarmos juntos, acredito muito que de tanto que esse alarme vai tocar, Deus há de arrumar um jeito de transformá-lo em música. Uma música de amor...

Te amo!

Marília



MARILIA FONTENELLE - 1:24 PM Comments:

Quinta-feira, Abril 14, 2005

A tal da acomodação...

Irrita-me as pessoas que não lutam pelo que querem. LUTA no sentido de ir atrás do que quer que seja. LUTAR pra mim engloba desde ler o manual de um aparelho que se quer usar a estudar feito um condenado para um concurso ou bater de porta em porta atrás de emprego para sustentar a família.

Irrita-me quando pedem a mim para baixar fotos para o computador (ou qualquer coisa, não importa), quando quem pediu está ali assistindo tv enquanto você faz o serviço. E isso não é ser imprestável. É porque eu não entendo, juro que não entendo, quando uma pessoa diz que não vai fazer, não porque não tenha tempo ou não queira fazer, mas porque NÃO SABE. Mas perai. Eu também não nasci sabendo. E como é que hoje eu sei? Li o manual, ora bolas (ou fui na base da luta, errando até aprender). Eu aprendi a mexer não por ser mais inteligente. Isso não existe. Eu aprendi porque quis, porque precisei, porque fui atrás. Não me conformo quando dizem que existem pessoas capazes e incapazes para fazer tal tarefa. Existe, sim, ter facilidade ou dificuldade para executar tal tarefa. Mas dificuldade se vence com persistência. É por isso que quando estou na aula de dança, tenho pavor a ouvir quem quer que seja dizendo "não consigo" ou "é impossível" para a professora que acabou de ensinar um passo novo.

Então, para aqueles que me pediram, ok, vou la e faço...o que custa? E na outra vez, e na outra também, e em todas as vezes que precisarem, as mesmíssimas pessoas me pedem novamente a mesma coisa, porque enfim "só você sabe fazer, Marilia". Veja só: se tivessem aprendido na primeira vez comigo (quando eu tentei na maior boa vontade ENSINAR), não dependeriam de mim para nada, principalmente em se tratando de alguém ocupada, que chega em casa morta e só falta chorar quando alguém pede para fazer uma coisa que qualquer ser humano de boa vontade poderia fazer.

Desculpem-me a irritação. Mas pensem nisso. As pessoas de maior potencial no mundo vivem dependendo dos outros para fazerem aquilo que não fazem por pura preguiça de aprender. São essas que viverão sonhando...só sonhando. Irrito-me não (repentindo: NÃO) por me incomodar de fazer favores, mas por ver pessoas capazes (todos somos...) de melhorar suas vidas por pura preguiça. Às vezes fico pensando: imagina se eu não fosse preguiçosa....



MARILIA FONTENELLE - 2:16 PM Comments:

Quinta-feira, Março 31, 2005

Queridos,

estou desaparecida. E nem gosto de escrever sobre isso. Na verdade, apesar das "súplicas" da minha querida e fiel leitora Janaina, vim aqui só para atualizar e não deixar que a globo apague meu blog. Justa causa não? Então, esses 2 ultimos dias, tive devaneios para o blog, como há séculos não tinha, mas agora já nem lembro mais qual era o tema e também não vim aqui para isso. Se alguém ainda ler meu blog, é só para dizer que estou ainda decidindo se vou mante-lo ou nao. Um beijo a todos os fieis.



MARILIA FONTENELLE - 11:55 PM Comments:

Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005

Castigo

Eu gosto da minha sala de estar porque minha mãe não comprou o puff que tá faltando. Por conta disso, ainda é ampla. E eu costumava fazer dela minha sala de dança. Em qualquer hora do dia que me sobrasse tempo, eu ia pra lá, colocava meus "cds de dança", recheados de Kenny G, Macy Gray e coisa e tal, e passava horas dançando. Eu costumava fingir que tinha gente no sofá me assistindo, mas se tivesse de verdade, eu jamais dançaria. Acho que ali, naquela sala, era o único lugar no mundo em que eu dançava como se ninguém estivesse olhando. E era onde eu era mais expressiva, onde qualquer pessoa poderia enxergar a verdadeira Marilia, a alma por trás do corpo. Eu prendia meu olhar no preto do alumínio da porta da varanda, respirava fundo, rezava dez pais nossos e dava uma pirueta. Na minha sala de estar era onde eu tinha coragem de piruetar sem ter medo de cair e as meninas rirem de mim. Acho que é trauma de infância, se é que eu cai e fui alvo de piadinhas, quando pirrota. Nem lembro mais. Mas mesmo dançando na minha sala de estar, eu tinha medo de quebrar a perna. Acho que por isso ficava tão tensa. Nunca quebrei nada, nunca tinha dor de nada e ainda assim me poupava do pior.

Ali naquela sala de estar, eu sentia a música e respirava de acordo com as batidas. Eu mexia meu braço com suavidade e tentava "caminhar dançando", como se nada, nenhum passo, estivesse me exigindo esforço. Era ali onde eu experimentava tudo que eu tinha visto nos espetáculos ou mesmo na academia. E era ali onde eu criava minhas coreografias para as músicas do Kenny G. Eu dançava por 2 horas seguidas e não parava nem pra beber água. Eu queria dançar e dançar, e, se pudesse, estragaria o piso de granito com meu sapato de sapateado. Se eu pudesse de verdade tudo que eu quisesse, eu jogaria pela varanda aquela mesa de centro que tolhe a espontaneidade dos meus movimentos, arremessaria pela janela os sofás, poltronas, adornos, mesas de canto, televisão e tapetes. Arrancaria granito por granito, e em seu lugar colocaria tábuas de madeira bem lixadas. Fixaria na parede barras de ferro pintadas de branco e, do lado oposto da sala, estaria enquadrado, como uma tela das pinturas de Degas, espelhos e mais espelhos. Eles refletiriam, diariamente, cada pirueta da vida, cada olhar de calmaria, cada sorriso de encantamento. Seriam como caixas de som da música tocada por meu corpo...

No entanto, todo esforço e todo medo que guardei errustido em minha alma de dar piruetas, tudo isso foi em vão. Arranque as barras e espelhos. Substitua o piso de madeira por granitos bem brilhosos, recupere os sofás, poltronas, mesas, adornos, tapetes que foram arremessados do 13 andar. Recoloque tudo no lugar. Compre até o puff, se quiser. E desligue o som. Eu não posso mais dançar na minha sala de estar. Tenho que me poupar para ter pelo menos o prazer das minhas aulas de dança...

Meus joelhos doem, mas a dor maior é a da alma....

*Ouvindo: Can you feel the love tonigh, do Elton John*



MARILIA FONTENELLE - 12:34 PM Comments:

Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005

Velhice

Chegou-me a velhice. Não aquela que te pede um botox, que te deixa com tudo caido. Ainda não. Chegou-me a maturidade. Veio de mãos dadas com meus 21 anos e com mais umas coisinhas mais. Descobri que a maturidade é amiga das dores e com ela sempre anda de mãos atadas para não se perder pelo caminho. Afinal, tanto percorre para chegar a seu dono, tantas barreiras transpõe para convencer seu futuro dono de querê-la, que não pode deixar de ter algum companheiro de percurso. Meus 21 anos vieram de mãos dadas com a Dona Vontade-de-arrumar-o-quarto. Aquela vontade de dar pelo menos a primeira prateleira de ursinhos para alguém que vá se divertir com eles mais que você. Logicamente (as mulheres vão entender), não há como doar todos, pois cada um tem sua história. O Catinga, por exemplo, meu lindo coala cinzento, presente de minha querida e inesquecível (e falecida) avó, durante nossa temporada nos EUA, no tratamento de leucemia da minha irmã Mariana. Quando olho pra ele, lembro da vovó conversando com ele e abraçando e tudo mais. Era a cena mais linda, que eu via quase todo dia. Tem também uma Abelha, presente de um ex namorado quando voltei a dançar e me apresentei no festival no papel de abelha. Tem até um gugu (cheio de franjinhas de linha, lembram?) que ganhei numa páscoa, de um amigo que me surpreendeu depois de um dia em q perdi o ônibus, peguei chuva, cheguei com raiva do mundo em casa....Enfim, são tantas as lembranças, que resolvi doar somente aqueles que eu mesma me dei de presente, por representarem pouco, por serem apenas um pedaço de uma Marilia raramente consumista. Foram-se os ursinhos e logo a prateleira vazia foi ocupada por livros de arquitetura.

Mas como eu te falei, meus 21 anos chegaram de mãos dadas com a maturidade e outras coisas mais. Maturidade, acho que só mais uma dose dela. Acho que Deus me presenteou com ela cedo (é o que dizem), mas resolveu me dar o resto aos poucos, em doses curtas, para que eu me deliciasse com cada aprendizado. Porém, nesta nova remessa, acredito não ter vindo minha dose de paciência para aturar um outro presente que veio em anexo: uma dor no joelho. Por que meu Deus, uma dor no joelho? Logo comigo, tão apaixonada pela dança? Quando a Sra. Dor no Joelho bateu em minha porta, fui atender suada, depois de uma aula de dança. Ela pedir para entrar e eu não deixei. Acho que nesse instante veio-me a lembrança da "música do Pedro Bial", aquela do Filtro solar. Lembram que falei que tinha medo de ouvir o trecho em que ele diz que eu poderia me casar ou não? Então. Enfatizei tanto essa parte, que não dei ouvidos para os versos que diz: "seja cuidadoso com seus joelhos...você vai sentir falta deles". Pois é. Quem diria, Dona Dançarina desde os 9 anos foi surpreendida por dores nos joelhos...Logo quando ela realizava o sonho de dançar todos os dias nas aulas de jazz. Do riso fez-se o pranto e dona Dançarina, totalmente impotente, teve de recorrer a dois médicos, radiografia, secções infindáveis de fisioterapia, pesquisas na Internet e 2 belíssimos e assustadores diagnósticos diferentes: "você está com SDR, isto é, Síndrome dolorosa rotuliana" ou então, "faça uns exames, pois há possibilidade de você ter reumatismo!". Acuma é?? Reumatismo, meu querido?

Então, eu num falei! Meus 21 anos trouxeram amiguinhos para a festa. Vieram de mãos-dadas para não se perderem por ai. E agora, José? "O que é reumatismo, pai?". "É coisa de velho, minha filha". Como já dizia minha querida ex-chefe, devido ao meu gosto por musicas antigas: "essa Marilia é muito coroa!".



MARILIA FONTENELLE - 10:25 PM Comments:

Domingo, Fevereiro 13, 2005

Meu dia.

Eu já escrevi uns 3 textos sobre o dia de hoje e não gosto de nada. É meu aniversário. Só não queria passar em branco. Já recebi alguns telefonemas de pessoas queridas de longe, de pessoas queridas de perto...e já recebi abraço da família. Já olhei vários scraps no orkut, já recebi parabéns pelo MSN. Já recebi mensagem no celular. E-mail também recebi.

Hoje é meu dia, esse dia é todo meu. E eu adoro ele. Eu adoro saber que estou com 21 anos e que cada ano já foi aproveitado da melhor forma: da minha maneira. E eu sou feliz. Muito. E eu amo as pessoas ao meu redor e também aquelas que não estão tão perto. Eu amo minha vida e espero ter pelo menos mais 50 anos para dar tempo de concretizar todos os sonhos que eu tenho. São tantos! E eu quero todos pra mim. Mas mesmo que não consiga concretiza-los, já serei feliz. O caminho para chegar a eles é tão encantador (ou até mais) que o próprio sonho. Parabéns para mim e para todos aqueles que fazem de mim uma pessoa extremamente feliz e apaixonada pela vida. Obrigada.



MARILIA FONTENELLE - 12:39 PM Comments:

        Marilia, vulgo Leleu (da cuca?), 21 anos, solteira, sonhadora, dramática até doer, cearense com orgulho e metida a arquiteta e urbanista. Ama suas aulas de jazz e sapateado, a música, pintura, teatro, línguas, arte e cultura em geral. Finge ser desencanada com dietas, estudos e coisas afins. Mas é transparente até a alma e não tem quem não perceba suas neuras. Adora escrever, principalmente sobre seu eu interior. Mas com uma condição: uma música lentinha de fundo.Comentários? Sua maior fonte de incentivo para escrever...Portanto...

MANDE UM E-MAIL

BLOGS QUE EU ADORO
Tonterias
Alto lá cara pálida!
Pensar Enlouquece. Pense nisso.
Arroz-de-Leite
Por onde andou meu coração!
Mundo Aninha
Do Piaui para o mundo
Colagem
Salve Ferris
Comédias da vida gelada
Que vida mais crônica!
Blog-Site Leitores do Ria

MINHAS FOTOS
Fotolog

MEU PASSADO
Arquivos
Blog antigo

CRÉDITOS
Daniel Vivona (template)
Rômulo Queiroz (HTML)

Eu participei, mas não emagreci uma grama:




Ganhei, li e recomendo:







on-line